Preparar com verdade, respeito e espaço para perguntas
Uma avaliação psicológica pode trazer dúvidas a toda a família. Não é preciso ter todas as respostas antes da primeira conversa: é possível começar por explicar o motivo da visita com palavras simples e ouvir o que preocupa a criança.
O que dizer à criança
Conte-lhe que vai conhecer uma psicóloga e explique, de forma breve, o que levou a família a procurar essa conversa. Se ainda não souber exatamente como será o encontro, pode dizê-lo com naturalidade e combinar que vão perguntar juntas.
Por exemplo: “Vamos conversar com uma psicóloga para perceber melhor algumas coisas que têm sido difíceis. Ela pode fazer-nos perguntas e explicar o que acontece a seguir. Se tiveres dúvidas, também as podemos fazer.” Ajuste as palavras à sua família e confirme com a profissional que atividades ou momentos estão previstos.
Evite apresentar a avaliação como castigo, exame escolar ou uma situação em que a criança tem de dar respostas “certas”. Também não prometa uma duração, um resultado ou que a criança vai gostar da experiência se isso ainda não foi confirmado.
Adapte a conversa à idade
A idade, o temperamento e a forma de comunicar da criança ajudam a escolher o nível de detalhe. Crianças mais novas podem beneficiar de uma explicação curta e de levar um objeto familiar, se a profissional confirmar que é adequado. Com crianças em idade escolar, reserve tempo para perguntas e para combinar o que levar. Pré-adolescentes e adolescentes devem ter espaço para participar no planeamento e perguntar como serão respeitadas a sua privacidade e confidencialidade.
Não existe uma frase única que funcione para todas as crianças. Se não souber se deve explicar algum detalhe, pergunte à psicóloga como preparar essa conversa.
Prepare sem criar pressão
Se possível, explique a visita com alguma antecedência, sem repetir o tema tantas vezes que se torne uma fonte de preocupação. Diga o que sabe, reconheça o que ainda não sabe e deixe espaço para a criança reagir. “Percebo que estejas nervoso; vamos perguntar à psicóloga o que vai acontecer” pode abrir uma conversa sem desvalorizar o que a criança sente.
Não é necessário ensaiar respostas ou fazer exercícios para a avaliação. Em vez disso, ajude a criança a perceber que pode responder com as palavras que tem, pedir que expliquem uma pergunta e dizer quando não sabe ou não compreende.
Organize a informação que quer partilhar
Antes da conversa, pode anotar o que gostaria de perguntar e exemplos concretos do que observa em casa, na escola ou noutros contextos. Registe também o que corre bem, os interesses da criança e as situações em que as dificuldades parecem menores. A psicóloga poderá perguntar sobre o desenvolvimento, a saúde, a escola ou avaliações anteriores, conforme o objetivo do processo.
Relatórios ou informação escolar podem ser úteis em alguns casos, mas não presuma que tem de enviar tudo. Pergunte à profissional o que é relevante, como partilhar documentos e quem terá acesso à informação. Não inclua dados clínicos ou escolares sensíveis num canal público.
Durante e depois do encontro
A criança pode precisar de tempo para se ambientar. Deixe que a psicóloga conduza as perguntas e partilhe as suas observações com franqueza, sem tentar orientar as respostas da criança. Se ela ficar inquieta, calada ou fizer perguntas, diga o que observa e pergunte à profissional como prefere proceder.
No final, confirme quais são os próximos passos, quando e como serão partilhadas as conclusões e a quem pode colocar dúvidas. O formato e o tempo do processo dependem da pergunta de avaliação e da situação concreta; este artigo não permite prever um resultado nem substitui aconselhamento individual.
Fontes e limites deste texto
As fontes abaixo ajudam a enquadrar a preparação e a conversa com a criança. As orientações de outros países descrevem os seus próprios serviços e não definem o processo da Bruna Aguiar. Para saber o que acontecerá numa avaliação concreta, confirme os detalhes diretamente com a profissional.
Ordem dos Psicólogos Portugueses
Parecer 7 — Consentimento informado na intervenção psicológica com crianças e adolescentesReferência portuguesa sobre a participação de crianças e adolescentes em contextos psicológicos.
Child Mind Institute
Preparing Your ChildSugestões para explicar uma primeira visita de acordo com a idade e o temperamento da criança.
American Academy of Child and Adolescent Psychiatry
Comprehensive Psychiatric EvaluationEnquadramento norte-americano de uma avaliação psiquiátrica abrangente; não descreve necessariamente uma avaliação psicológica em Portugal.
Este conteúdo é informativo. Não substitui uma avaliação psicológica, uma conversa com a profissional responsável ou orientação clínica individual.
Um próximo passo, se fizer sentido
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